Foi tudo uma questão de espaço. Ou da relação com o tempo que se resume a apenas um mês. Longe da nostalgia que me remetia a o mesmo mês, só que no ano passado, e igualmente longe daquela cidade verde, estava eu mergulhado no cinza.
Pela primeira vez um “não” vindo de mim percorreu alguns centímetros e me afastou de alguém a quem somente tenho pena. Deixei que este fosse longe em suas fantasias e compulsões. Eu não estarei mais por perto quando só restar poucos que queiram entregar um abraço mesmo...
Já o cinza das nuvens e da dúvida sobre a importância que tenho na vida de algumas pessoas dá o tom deste mês. Algumas pessoas tão perto e que passei a tentar dar um close em suas qualidades, me sobrando sua impiedosa crítica me colocando a quilômetros de distância do seu universo (ou seria pote de ervilha?)
Dias próximos aquele feedback, sai para apresentar um trabalho na faculdade e por poucos centímetros não feri minha cabeça mais grave. Mesmo machucado fui dar o meu sangue para o trabalho da faculdade e recebi de um dos membros olhares de indiferença e ausência de comprimentos, como se fosse um desconhecido. Não tenho mais que me preocupar com vagabundos... Já viajei km para estar na cama com um – sim, este se declara abertamente como tal. O da faculdade, que me poupe pois a minha preguiça chega a ser maior que a dele em pensar em dizer “oi”. Suas estradas são tão limitadas que nem me levam a percorrer mais aquela crítica de quem esperava mais do outro naquele trabalho. Fomos bem além do que o professor esperava, sem ele mesmo. Uma pena. O mérito está bem distante da inércia e de sua falta de competência...
Não me bastasse o céu claro - com uma nuvem cinza me pairando – , numa tarde de sol de Domingo, saio a andar pela Faria Lima em direção ao ponto – direto ao ponto, como sempre – e por poucos centímetros não estaria te fazendo ler este texto. Ficaria longe de contar história para tornar-me uma triste estatística... Ainda assim vou longe, apenas quebrando o vidro daquele ônibus e indo alguns metros a frente.
(...)
E que anos-luz de distância de tudo aquilo que me deixa parado, permaneça aquilo que me acorrentava: sentimentos vazios, amor do passado que foi embora, pessoas que andam o mundo inteiro mas não saem do lugar, os viciados em sexo, os compulsivos por exageros, os alcoólatras incontrolados, os que pessam a vida reclamando e não conseguem mover uma caneta – um centímetro sequer – para escrever algo útil e por fim, aos que não conseguem percorrer mais que 140 caractéres...
É um mês como outro qualquer, mas para ficar bem longe das minhas recordações.
De olho nesse passado, fixo no presente em que olho que a minha estrada em direção ao futuro poderá não ser tão longa. Ainda assim, só no futuro poderei dizer que gosto terá quando eu ver que fui um dos poucos que saiu do seu ponto e estará em outro ainda que como esse maio, fora do eixo...
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quarta-feira, 16 de junho de 2010
domingo, 23 de maio de 2010
Um é muito...
Era um domingo que poderia ser como um outro qualquer. O telefone que deixou de tocar me trouxe até aquela estação. Era uma noite fria, mas de um luar sem igual. Retratos em preto e branco e aqueles olhos castanhos claros a me olhar fixamente. Os meus verdes, constrangidos. Mas fiquei imóvel e eis que surge. Começa uma viagem que vai além daquela estação de baldeação.
Trocas e mais trocas de homenagens, frases ditas e escritas e algo cresce dentro de nós. Não é somente aquele pulsar latejante que quase nos arranca as vestes. É o intangível, o imaturo, mas que está mais para a doçura de uma criança. Pacientemente, aguardei dias numa tranquilidade já esquecida por uma rotina mais sufocante que o desejo do pronome pessoal, mais o verbo, mais o caso oblíquo. Mas era um caso. Não foi uma aventura que se perdeu numa cama de motel. Era um caso. Talvez este de desejos de um e paixão do outro. O que importa?
Aquela noite, no entanto, terminou ontem, melhor anteontem, pois já se passa da meia-noite e estou inteiro, vivo. O que sempre temia ouvir nos discursos políticos afim de se representar o coração não veio, ficou de fora. Ouvi o inesperado. O que sempre temia ouvir, saiu enfim de minha boca. Aquela que não vai mais, suponho, te beijar, te por em meus braços e me perder em outras noites de luar sem igual, afinal igual a aquele, não mais. Poderia ser melhor, mas ficou perdido entre tantos outros homens de olhos castanhos, pretos, azuis - e que olhos lindos em que eu fui me embreagar depois do fim. Eu fui enaltecido por teus olhares, por tuas palavras de quem quer bem mais que a minha boca amarga mas de toque doce. Mas não quero ser mais um. Quero ser único. E no entanto, continuo só.
É a vida, que segue com mais beijos, mais afetos vazios, com olhares de açogue. Minha carne foi tocada, meu gozo entreguei a ti, o outro a quem eu penetrava por entre seus gemidos. O rádio mental tocava Talk Show Host do Radiohead. Melancólico. É o meu signo. E dentre tantos homens, aquele que eu desejava, já não sei a ele mais o meu significado. Foi insignificante, porém, marcante. Rápido como aquele orgasmo de fim de noite.
Amanhã é outro dia, outra história. E nela vou me perder por entre os becos, onde minha alma estará lá esperando por quem passa...
_______________
"Talk show host" - RADIOHEAD
I want to, I want to be someone else or I'll explode
Floating upon the surface for
The birds, the birds, the birds
You want me, well fucking well come and find me
I'll be waiting with a gun and a pack of sandwiches
And nothing, nothing, nothing, nothing
You want me, well, come on and break the door down
You want me, fucking come on and break the door down
I'm ready, I'm ready, I'm ready, I'm ready, I'm ready...
domingo, 16 de maio de 2010
O mais eloquente dos signos
Eis que tudo muda da água para o vinho. Aquilo que é dado como certo vira algo que é posto em cheque. As certezas - que nunca tivemos, diga-se - são diluídas na perda de uma esperança que se vai pela simples ausência.
O ser humano recebeu como dádiva o dom máximo da comunicação, o diferenciando dos animais e com isso pode construir as histórias mais belas que vão do romance à experiência de viver seus dramas e poder compartilhar com outros seres pensantes.
Ainda que todas as certezas inexistem pois como dizia Nietzsche que todas certezas deviam ser questionadas e desconfiar-se de quem dizia as possuir em abundância e no entanto não há como na vida existir o relativo pois na subjetividade de cada um passa a ser uma certeza que é intíma, porém diferente das dos outros, logo, ou é "sim", "não" e "talvez". Não tem meio termo. Ouvi-los, significa que uma mensagem foi enviada, recebida e decodificada. O ciclo da comunicação se completa. Pelo menos a certeza de como cada um reage a isso pode conviver com o livre arbítrio e faz-se sua escolha.
O que dizer daquilo que não é dito, que não é expresso, e presente nas entrelinhas do que ficou no ar? Hoje, tive a constatação máxima de que eu não sei como interpretar o silêncio. Hiato pode ser uma forma de comunicação. No obstante, chego à conclusão de que isso pode dizer tantas coisas e justamente nesse infinito de possibilidades pode ocultar inclusive uma forma cruel de quem o emana - ou abstem-se de dizer algo, a saber - de deixar a outra parte numa expectativa e que pode ser um tremendo ponto de partida para as manifestações de neuorose e até mesmo psicose. Quem deixa de emitir a comunicação pode estar também a espera de um comportamento infantil e irracional.
Mas quem espera isso da outra parte envolvida na comunicação também não parte do mesmo princípio e portanto, igualmente imaturo?
Apesar de servir de teste para quem aguardava um feedback ou uma resposta, ou alimentar os sintomas descritos acima, também pode ter o seu lado "bom". Pode dar ao outro o direito de interpretar como quiser. E para mim, na grande maioria das vezes, como já assumi não saber decodificar hiatos, é capaz de representar o que eu bem achar conveniente. Na minha impulsividade assumida que quase sempre declina para comportamentos agressivos - e sou humano para assumir isso - passo tomar rumos estes: dou como perdida a importância do meu interlocutor ou mando um comunicado agressivo e quase sempre finalizador, junto com este toda a minha dose do meu veneno sarcástico e irônico. Afinal estou no meu direito de na minha ausência de sabedoria para lidar com isso, responder como acho melhor, pelo menos para mim.
Apesar de aparentemente imaturo nas minhas escolhas, no que diz respeito ao silêncio; há o oposto que é uma maturidade a entender quando segue o "não", sendo este conclusivo e o uma aparente fechada de porta é capaz de abrir tantas outras e até mesmo uma para o emissário dessa negativa à minha pessoa. Sou muito aberto às criticas, lido muito bem com elas e sou capaz de entender que alguém, no duro da escolha de dizer "não" foi corajoso e honesto. Isso me inspira todo o meu respeito, minha admiração e portanto, merece a partir desse momento ter o direito a minha honestidade e minha consideração.
Se todos nós, no ápice de nossa indecisão ou na perda de interesse ou esperança no outro, soubéssemos como um "não" é confortante, poupássemos bem mais do que" um resto de refrigerante que sobra no copo" (leia-se neurose obsessiva), sobraria histórias de uma convivência mais harmoniosa e nos libertando de todas as outras dúvidas e ainda que não nos dando nenhuma outra certeza mas só a de que o fim pode significar um grande recomeço.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Confiança
Estava eu às vesperas do feriado da Paixão de Cristo em minha casa quando chega um sms:
from 6642****
Vamos beber hoje? Pela Paulista e arredores!
O número não estava gravado em meu celular. Logo desconfiei que fosse alguém que estivesse usando um número de outra pessoa ou simplesmente posto outro chip que não havia me dado o número.
Eu respondi
O meu celular não identificou seu número. Quem é?
from 6642****
É o O*****
Eu, em seguida
Não estou bem hj
from 6642****
Entao descobriu quem é e desistiu?
Eu
Eu confio nas pessoas. Se é o que você está me dizendo, logo...
Fantasmas do passado...
Ok, children, Let´s play dirty!
from 6642****
Vamos beber hoje? Pela Paulista e arredores!
O número não estava gravado em meu celular. Logo desconfiei que fosse alguém que estivesse usando um número de outra pessoa ou simplesmente posto outro chip que não havia me dado o número.
Eu respondi
O meu celular não identificou seu número. Quem é?
from 6642****
É o O*****
Eu, em seguida
Não estou bem hj
from 6642****
Entao descobriu quem é e desistiu?
Eu
Eu confio nas pessoas. Se é o que você está me dizendo, logo...
Fantasmas do passado...
Ok, children, Let´s play dirty!
quinta-feira, 25 de março de 2010
Desejos
Quero e muito:
- Pagar meus débitos e sair finalmente do vermelho,
- Conseguir juntar uma grana e fazer uma visita ao velho continente. Quem sabe aproveitar e estudar,
- Dizer a alguns colegas de faculdade como são inteligentes e pedir para que parem de se sabotar,
- Dizer a outros "saia dessa vida, o que você tá fazendo no curso de rádio e tv se para se comunicar você diz menos que uma ameba, basta olhar no seu orkut ou twitter",
- Ver de volta na tv o comercial da Devassa só pra ver o circo moralista pegando fogo e gente hipócrita achando o máximo da liberação sexual a Paris Hilton rebolando,
- Pegar um certificado TOEFL,
- Ver de volta ao Brasil meus amigos que estão fora,
- Voltar a dormir 8h por dia, durmo quase mas não é a mesma coisa,
- Retomar antigos projetos, no entanto ter também tempo para conciliá-los,
- Dizer a alguém "não te quero mais",
- Ver o outro pagando e tropeçando nos próprios erros, isso para que veja que se expor demais é um risco que só os sábios sabem correr,
- Que chegue o dia das eleições para que eu possa brincar de apertar botão na urna,
- Ter o mesmo teor de acidez de Dr. Gregory House, eu bem que me esforço,
- Terminar por aqui, já escrevi demais, o povo do twitter nem vai ler esse post mesmo...
- Pagar meus débitos e sair finalmente do vermelho,
- Conseguir juntar uma grana e fazer uma visita ao velho continente. Quem sabe aproveitar e estudar,
- Dizer a alguns colegas de faculdade como são inteligentes e pedir para que parem de se sabotar,
- Dizer a outros "saia dessa vida, o que você tá fazendo no curso de rádio e tv se para se comunicar você diz menos que uma ameba, basta olhar no seu orkut ou twitter",
- Ver de volta na tv o comercial da Devassa só pra ver o circo moralista pegando fogo e gente hipócrita achando o máximo da liberação sexual a Paris Hilton rebolando,
- Pegar um certificado TOEFL,
- Ver de volta ao Brasil meus amigos que estão fora,
- Voltar a dormir 8h por dia, durmo quase mas não é a mesma coisa,
- Retomar antigos projetos, no entanto ter também tempo para conciliá-los,
- Dizer a alguém "não te quero mais",
- Ver o outro pagando e tropeçando nos próprios erros, isso para que veja que se expor demais é um risco que só os sábios sabem correr,
- Que chegue o dia das eleições para que eu possa brincar de apertar botão na urna,
- Ter o mesmo teor de acidez de Dr. Gregory House, eu bem que me esforço,
- Terminar por aqui, já escrevi demais, o povo do twitter nem vai ler esse post mesmo...
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