segunda-feira, 9 de abril de 2012

Obrigado mais uma vez


O duro exercício de agradecer as pessoas:

Talvez seja onde eu mais apanhei na vida. Ser cordial, reconhecer os bons feitos do ser humano, entender que mesmo com essa visão ácida que eu tenho da vida, há os de bom coração, de boa vontade para com o próximo. Eu tenho muito a agradecer algumas pessoas nessa minha jornada até aqui. Nem todas todas querem esse agradecimento, no entanto. Talvez porque julguem este "obrigado" como inferior aos seus feitos.

Enfim, enquanto existir gente que prefere jogar suas sementes no pântano, existirão flores que nascerão na secura do sertão.

A vida tem dessas contradições. Vou preferir agradecer aos que preferem me dar uma surra para que eu me levante novamente, aos que me erguem pelo simples capricho da vaidade que vai me colocar no chão sujo.

Posso até morrer com esse "obrigado" entalado. Mas é ele que vai dar forças aos que precisam muito mais dele do que da verdade absoluta e utópica.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Quem mordeu minha maça?


Há quase um mês no suporte do produto Apple, pude notar e analisar melhor qual o efeito e quais as qualidades que caracterizam este que é um certamente um dos ícones da tecnologia.

Abro no entanto, parênteses para duas análises destintas a fim de responder a uma pergunta que me fizeram em um dos meus posts no meu Facebook hoje: o que eu acho dos Macmaníacos.

Primeiro que toda mania em si é uma superestimação de algo - que ainda tenha sues méritos - é fruto de uma distorção da realidade causada pela influência da propaganda e nosso caso do Brasil, de uma realidade que induz o usuário da Apple na maioria das vezes a querer mostrar algum status por dizer que adiquiriu um produto da maçã.

Enquanto empresa é inegável que sua imagem também se construiu pela criatividade tanto de seu produto quanto de sua propaganda. Quem quiser, procure no Youtube os vídeos divertidíssimos das campanhas de vendas do iMac, MacBook e OS X.

Traçando um perfil dos macmaníacos que ligam para receber suporte, devo destacar o lado bom e ruim destes:

- Um dos tipos é o deslumbrado. A pessoa compra o produto porque achou bonito e ponto. Quando é uma pessoa mais educada é fácil dar suporte mandando artigos da Apple ou batendo um papo. O lado ruim deste cliente é que muitos vieram do Windows e nunca tiveram contato algum com a Apple e se sentem decepcionados por não conseguirem ver seus arquivos em pastas no iPad. Aí xingam o produto que compraram e acham um desrespeito a barra fixa superior de menus, por exemplo.

- Outro tipo de cliente é compulsivo. Aquele que compra um iPad ou um MacBook e nem sabe pra o que serve e nem o que vai fazer com ele. Torra uma grana considerável e liga pra central depois que está com o iPad em mãos e pergunta: serve pra que isso, moço? Se a pessoa é mais tranquila ela passa a aproveitar melhor os recursos do dispositivo e não vai dar maiores trabalhos pra operação. Ela mesma consegue se conformar que comprou sem pensar e pensar "já que comprei, vou querer usar". O lado ruim deste cliente é que essa compulsão é pra esconder uma carência pra satisfazer-se com o simples ato de comprar e aí se sente vazio e simplesmente vai descontar sua compulsão em outra coisa e encosta o produto.

- O fútil. Este compra pra dar para os filhos jogarem Angry Birds no iPad ou pro filho mais velho se acabar no porn. Não usa o produto da Apple pra qualquer coisa útil. O lado bom deste cliente é que ele vai acabar comprando outras bugingangas e se acabar no iTunes Store. O lado ruim é que muitas vezes idealiza o produto e se decepciona quando o iPad não consegue ver os aplicativos do orkut. Outro péssimo ponto deste cliente é que tentar achar o número de série é um parto. Já me preparo para ficar os primeiros cinco minutos do contato ajudando-o a localizar o número de série.

- O fã de tecnologia. Ele lê todos os fóruns, gosta de colecionar revistas do mundo da Apple, procura informações com hackers e sabe de cor e salteado as características do novo dispositivo que a Apple lançou e o site do fabricante está sempre entre os favoritos do navegador. O lado bom deste cliente é que quando surge uma dúvida ele liga no suporte e está aberto a receber um artigo e ler atenciosamente pra fazer o procedimento e conversar com ele vira um bate papo muito amistoso em que pode-se aprender muito com ele. Outro ponto bacana é que esse cliente também sabe das limitações do produto e manda sugestões pro fabricante pra aperfeiçoá-lo. O ruim é quando ele teima em querer saber mais que o técnico colocando informações não oficiais e as manipula de modo a confundir o representante do suporte. Quando isso acontece é necessário ter uma argumentação afiadíssima e responder quase que de imediato os questionamentos.

- O funcional. O cliente que usa Apple como ferramenta de trabalho e/ou estudos. É um cliente que precisa de uma informação rápida pra poder transferir conteúdo ou fazer compras de livros pelo iTunes Store. O lado positivo é que não é um cliente que se distrai e segue atentamente todos os passos na linha. Normalmente cuida bem do produto e dificilmente vai ligar pra falar mal da assistência técnica. Outro ponto positivo é raramente liga sem o aparelho em mãos, o que ajuda bastante. O ruim de lidar com ele é que o mesmo coloca a vida inteira dentro do Mac ou iPad e se esquece que um dia vai precisar formatar ou restaurar o dispositivo. Aí, pode se preparar que vem dramalhão mexicano de quinta.

Resumidamente, este é o cliente da Apple. Não é muito diferente dos clientes que usam as plataformas fixas da Microsoft ou móveis do Android. O que os difere é que Apple para eles pode virar um estilo de vida ou um vício. O que vai diferir um de outro é a relação entre consumismo ou gosto pela tecnologia.

Também é possível confirmar que o cliente é um applemaníaco é quando ele interliga dois ou mais dispositivos da empresa, fazendo com que o mundo fechado da Apple passe a ser seu way-of-life.

Sobre os produtos, num próximo post falarei mais sobre eles e os casos interessantes que eu possa a vir a atender no suporte.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Sem futuro.

DONNIE DARKO – 2001

Não é mais um terror teen americano. Não se nos prendermos aos clichês que nos levam a categorizar um filme como tal. O diretor Richard Kelly foi impressionante ao ilustrar um jovem conflituoso consigo mesmo e com a sociedade em sua volta em vez de simplesmente contar uma história de terror.

O filme trata do jovem Donnie, interpretado por Jake Gyllenhal e que é perturbado por um coelho gigante que o incentiva a promover assassinatos. Conturbado com as aparições deste coelho e de como a sociedade lidou com o seu problema, Darko tenta buscar explicações indo a uma analista, que com sua mente estreita, só obtém dele mais incitação dos impulsos como resultado da terapia ineficaz. Além disso, o rapaz tem os dons de prever acontecimentos futuros e com mais inquietações a cabeça dele fica cada vez mais confusa. Naquela pacata cidade, só a professora vivida por Drew Barrymore, tinha a compreensão para os alunos da sala de Donnie, também perdidos no tiroteio da moral versus liberdade. As premonições de Donnie refletem o quão terrível seria poder prever o próprio futuro e ampliam certamente a nossa incapacidade perante a ele.

Sem sombra de dúvidas Jake Gyllenhal está estupendo em sua atuação e ela exigiu uma carga dramática para os momentos mais tristes do seu personagem e na grande ironia, tanto despejada sobre os outros habitantes durante uma apresentação de um palestrante banana quanto nos valores estreitos e hipócritas o envolvendo naquela cidade atrasada mentalmente. E uma das professoras foi a tradução dessa falsa moral, que julga a mensagem como causa e efeito direto e responsável pelo o que propaga, sem levar em conta a interação do receptor com ela. Sim, Kelly questionou a teoria funcionalista da Escola de Chicago e a década de 80 não deve ter sido uma escolha aleatória.

Para transportar sua trama estes anos, o diretor caracterizou seus personagens como se fossem daquelas séries sobre famílias americanas felizes, mas com algum problema de convivência. A trilha sonora embala a introspecção da personagem principal e as letras cheias de psicologia do Tears For Fears caem como uma luva para a viagem dele.

Pelo excelente trabalho de Richard Kelly restam dúvidas se ele tentou contar uma história com elementos aparente desconexos sob a ótica do terror ou se o mesmo quis que a juventude dos começo dos anos 2000 repensasse suas problemáticas. Talvez tenha sido nessa ambigüidade que Donnie Darko tenha amargado uma fraca bilheteria nos EUA, ainda que esta não ofusque o brilho e a gigante interpretação de Jake e do roteiro do seu diretor.

A grande ironia da película é de não haver na realidade apenas duas possibilidades enxergadas, tal como as que limitam a ação das outras personagens no tempo e no espaço. E na metáfora de que é tudo uma questão de tempo. Tentar explicar a sua ação imutável, nos reduziria ao simplismo, à mente limítrofe e intolerante com a ciência e com a razão para com a sensibilidade não só de Donnie, mas de sua professora e de todos que se tocaram em algum momento diante de um personagem complexo e tão atual.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Old School Terror?


Insidious – James Wan

Do mesmo produtor de Atividade Paranormal, Orean Peli e James Wan lançam mais um filme de terror dialogando com outros clássicos do gênero em fusão com películas mais recentes.

A história gira em torno de um dos filhos do casal Josh (Patrick Wilson) e Renai (Rose Byrne) que recém-mudados para uma residência, ficam em desespero com o coma do menino e por este não conseguir acordar do sono profundo. Não bastasse a situação, os pais ainda encontram sinais de assombração, motivando-os a deixar o lugar e ir para outra casa. No final das contas o que está amaldiçoado é o menino e não o imóvel, fazendo com que Josh e Renai tentem buscar uma saída para o pesadelo através do transporte do marido ao mundo inconsciente.

Com a narrativa dramática clássica em três atos e uma pitada de humor altamente dispensável de dois nerds que aparecem na trama, “Insidious” perde a chance de figurar como a linha tênue entre o terror que fez escola de “Exorcista” e “Poltergheist” e os trabalhos anteriores do realizador no cinema americano como “Jogos Mortais” e “Atividade Paranormal”. Bem como disse, os nerds são personagens que expoem a película ao ridículo e destoando completamente de todo o resto da história. Bastaria um trabalho melhor de caracterização destes dois personagens que “Insidious” não perderia seu fôlego. Outro ponto em que a película pecou foi no desenvolvimento do enredo em que o diretor poderia ter explorado mais o suspense dos personagens principais até levá-los a decisão de trocar de casa. Aliás, a conclusão de que é o menino e não o lugar o ponto assombrado deveria ficar subentendida no trailer, o que aumentaria o suspense e teria sido um marketing positivo por enriquecer a história, saindo do clichê das casas mal assombradas.

O primeiro ato, no entanto, mostrou a grande habilidade de Wan em deixar o expectador conhecer e muito bem seus personagens com diálogos muito bem estruturados. Os planos de cena bem construídos expuseram de forma visual um ambiente soturno e grande demais para a família favorecendo a movimentação dos personagens no espaço, consequentemente ampliando a tensão.

Entretanto, a composição das trilhas sonoras - muito bem escolhida foi um dos pontos mais altos da película, remetendo ao terror dos mais assustadores filmes clássicos.

O destaque também para a introdução com imagens em preto e branco que exploraram todo o potencial de Wan para continuar no gênero.

Pra finalizar, o roteiro leva a pensar no nosso inconsciente, sendo este justamente a nossa prisão e contrariando a psicanálise do id para onde nossos desejos secretos são levados. Alias a hipnose também está inserida no filme. Mesmo em discordância sobre essa prisão dos desejos expostas pelo realizador e o nosso alcance racional a eles pelo inconsciente, a metáfora de Wan foi interessante em um contexto do cinema de terror americano guiado pelo psicológico e não mais por histórias de bruxas, demônios e fantasmas. Em “Insidious” os demônios estão lá, só que a alcance dos nossos desejos e suas representações pela imagem do filme, pela profundidade abordada pelo diretor, chega a serem quase metafóricas. James Wan precisa somente acompanhar os desejos do expectador, quem sabe neles, encontre outros “demônios” que realmente nos dêem medo de ver quando se apagam as luzes.